Silviah Carvalho
 "Sobrará culpa aonde faltar o amor... Não se culpe, Ame"
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Mariposa Imperial

A natureza nos trás surpresas, gosto muito de admirá-la, fauna, flora nos trás conhecimentos
Que não teríamos no cotidiano urbano, vale a pena guardar um tempo para assistir espetáculos naturais.
Há um fato curioso a respeito da mariposa imperial: ela sai do casulo por uma abertura que parece pequena demais ao seu corpo. E, interessante, não deixa vestígio de sua passagem:
Um casulo vazio é tão perfeito como um casulo ocupado, segundo se supõe a exígua abertura
Desse casulo é uma provisão da natureza para forçar a circulação dos humores nas asas da mariposa, asas que ao tempo da eclosão são menores que as de outros insetos congêneres.
Guardado por algum tempo um desses casulos, que tem uma forma cilíndrica interessante e que estava ocupado, o erudito anelava por ver chegar o dia da saída do inseto. Finalmente o dia esperado chegou: e lá ficou uma manhã inteira, interrompendo a todo instante todo o seu serviço, para observar a trabalhosa saída da mariposa.
Ao seu entender, aquela saída estava difícil demais! ele pensou que talvez fosse por ter o casulo ficado tanto tempo fora do habitat natural, quem sabe em condições desfavoráveis. Podia ser que suas fibras tivessem ressecado ou enrijecido. E agora o pobre inseto não teria condições de sair dali.
Depois de muito pensar, arvorou-se em ser mais sábio e compassivo que o seu Criador, resolveu dar-lhe uma pequena ajuda. Tomou uma tesoura e deu-lhe um pique no fiozinho que lhe embaraçava a saída. Pronto! Sem mais dificuldade, saiu a mariposa, arrastando um corpo intumescido.
Ficou atento e curioso para ver a expansão de suas asas encolhidas, o que é um espetáculo admirável aos olhos do observador. Olhava curiosamente aqueles minúsculos pontos coloridos, ansioso por vê-los dilatarem-se, formando os desenhos que fazem da mariposa imperial a mais bela de sua espécie. Mas, nada... E o fenômeno, nunca se deu! Na pressa de ver o inseto em liberdade, o erudito havia, sem saber, impedido que completasse o laborioso processo que estimularia a circulação nos minúsculos vasos de suas asas! E a mariposa, criada para voar livremente pelos ares, atravessou sua curta existência arrastando um corpo disforme, com asas atrofiadas.
Esse ocorrido me levou a outra dimensão, aquela que nos traz uma experiência extra, a de se colocar no lugar da vítima, e quem ou o que seria nosso algoz?
Recentemente me fizeram a seguinte pergunta: “você é feliz?” ao que respondi felicidade não existe, o que existe são momentos felizes, ninguém é totalmente feliz ou infeliz, às vezes falta tão pouco para sermos felizes, como faltava pouco para a mariposa voar e lhe foi interrompida a vida e a felicidade de poder voar e encantar a muitos.
Assim, percebo que as pessoas entram em nossas vidas a fim de “interromper” nossa solidão e nem imaginam o prejuízo que nos causam, a solidão, a tristeza fazem parte no nosso crescimento, moldam nosso caráter para melhor ou pior.
O ser humano tem o costume de atropelar o tempo destinado a cada processo de suas vidas: invade um a vida de outro e se perde na hora de consertar os próprios erros diante do estrago causado por atitudes incoerentes.
O erudito, nada mais podia fazer pela mariposa, além de vê-la definhando, a natureza a colocou no caminho dele ou ele no caminho dela? Por certo, a resposta veio da própria natureza, ela minguou em suas mãos, ele estava no caminho dela.
Deixemos a vida e a natureza seguir o seu curso, aquilo que não cabe a nós, deve não nos interessar, a nossa curiosidade pode surpreender nossas expectativas e nos tornar assassinos de vítimas vivas, destruidores de sonhos, exterminadores de vidas sentimentais em reconstrução.
Guardemos em nós nossa vã curiosidade, que pensamos não poder controlar, ou seremos covardes despertando sentimentos que não temos a intenção de sustentar.
Há uma porta de entrada na vida e no coração das pessoas, devemos bater e pedir permissão para entrar, pois não há saída, quebrar essa porta é determinar uma sina, depois é só parar para assistir o espetáculo: vida ou morte, e você passa a depender da própria sorte.


Adaptado.




 
Silviah Carvalho
Enviado por Silviah Carvalho em 02/12/2010
Alterado em 31/05/2012
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