Silviah Carvalho
 "Sobrará culpa aonde faltar o amor... Não se culpe, Ame"
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Ou Ela ou Eu

Era o que seu coração dizia.
Em agonia, trancada em seu quarto, vivendo seus pesadelos, chorando suas derrotas como se nunca houvesse tido uma vitória, como se não fosse amada mais do que merecia, era claro, era nítido era revelado a força do amor que a abateu de tal forma a ponto de amortece-la e fazer com que perdesse de vez o gosto pela vida. Desconsiderando tudo o que a própria vida lhe dera.
No ápice da tristeza, por não receber o que mais sonhara ter, o que lhe seria a força necessária, a prece precisa e o desejo concretizado; todos os sentimentos estavam ali nela, só nela, ela não percebeu.
Luz é o significado do seu segundo nome, no entanto a Luz foi invadida pelo negrume daquele dia.
Ela não conseguiu singrar os mares, mesmo com tanta ousadia, e ficou parada no porto da solidão e adormeceu na sombra, em repouso inativo à mercê da instabilidade do amor e das emoções, largada ao sabor das ondas como um barco à deriva, longe do porto desejado.
Como ela veria o sol se não abrisse suas portas e janelas, e deixasse sair a tristeza e ir embora seus fantasmas e sutilmente convidar a esperança para de novo morar nela?
A vida amorosa não consiste em pairar sobre as emoções, mas, em içar as velas, tendo os olhos fitos no horizonte e governar a fúria de suas próprias aguas.
Talvez pela força em que tudo acontecera e os momentos ruins em que vivia, tenha aberto uma fenda e a rocha se partiu, inundando seu coração de amor e carinho extremo, sem reciprocidade, amou sem esperança, amou sozinha.
Penso que quem ama sozinho é aquele que não pode nem se aproximar da pessoa amada, que não pode falar, nem enviar uma carta ou dá um telefonema.
Para quem é amado isso tanto faz, mas para aquele que ama é como ver-se no abismo, é como não ter chão, é uma espécie de morte, a liberdade na prisão, não, não existe sequer o menor sentimento, o que se entende do amor é que ele ultrapassa as barreiras, nada o detém, cria oportunidades, reinventa o trajeto, o amor é o sentimento eterno, é a única coisa que levaremos desta terra, há disciplina no amor que, as vezes nos faz vive-lo em silencio, silencio com os outros, não com a pessoa amada, isso é crueldade, plantio desnecessário de sementes ruins, colheita universal inevitável, mas...
Tinha que haver uma saída e partir dela, pois era nela que estava alojado aquele tão cruel sofrimento.
Ela estava no lugar certo onde experiência e sofrimento se confrontam, na selva!
Morar entre a Selva, (significado do seu primeiro nome), lhe fazia bem, mesmo parecendo solidão, há certas coisas incompreensíveis que vem para tirar o máximo de nós, sentimentos estranhos, ao passo que acalma desespera, nos joga no chão, faz parecer que o mundo se esvaziou por só enxergar aquela pessoa, era assim que ela estava vivendo um conflito interno que se externasse mataria todos a sua volta.  
Ela tinha que reagir, e reagiu, deu seus primeiros paços em busca da sua liberdade, abriu a janela e debruçou-se nela, raios de sol passeavam entre as arvores, densas e acolhedoras, observando-a começou a desistir, renunciar, aceitar não o fracasso, mas a vitória de sair viva da terrível experiência de amar e não ser amada, pela pessoa que desejara ter.
Naquele instante a natureza lhe mostrou uma lição por demais importante, ela viu uma cena entre os animais que lhe chamou a atenção: a segurança dos pássaros está nas suas asas e não em seu coração.
Um pássaro da cor de folhas secas, pousou no galho de uma amoreira onde tinha construído seu ninho, trazia alimento para seus filhotes, se aproximou do ninho, já destruído pelo o Iguana que parecia só esperava por ele, apesar da aparência terrível, os iguanas são dóceis, esse, no entanto estava com fome e atacou o pobre pássaro ferindo sua asa e ele se debateu, mas não pode voar, ele o devorou...
_. Se constrói seu abrigo no chão és obrigado a voar baixo, a mercê de seu predador_.
Seu coração doeu, sentiu vontade acabar com o Iguana e com os filhotes dele, acabaria com ele e até com décima geração de Iguanas se fosse possivel!
Sofreu com aquela cena, chorou e reclamou, fechou a janela,
Inconformada foi para porta que dava acesso ao quintal, abriu e foi se assentar num tronco caído, só conseguia imaginar a brutalidade daquele iguana, em nada mais pensava, nem mesmo na revolta crescente em seu coração, por causa do amor não conquistado.
Como se não bastasse a revolta com céus e terras ela ainda conseguiu ser pior.
Deixou a porta aberta, fechar portas e janelas das casas é essencial, principalmente na selva, nunca se sabe quem está nos observando.
Ficou ali e quando se deu conta já anoitecia, e o mais interessante sua mente estava calma, suspirou fundo e pensou “vencem os mais fortes”
Ao voltar e trancar a porta sentiu um cheiro forte, mesmo sabendo cheiro de quê, ignorou imaginando ter o animal só passado em volta de casa.
Luz não sabia o que lhe esperava, como era de seu costume sentou-se no chão para meditar, mas não teve tempo, o cheiro de lama fortíssimo a fez olhar em baixo da cama, sim, era uma cobra e ela sabia que a partir daquele momento não podia desviar o olhar, qualquer movimento brusco seria o fim.
As serpentes ou popularmente falando as Cobras, eram por ela minunciosamente pesquisadas.
Mas nunca se viu entre elas tal situação, sem defesa para as duas partes, Luz tinha sua mão direita “ferida”, precisava de um plano, a luz não permitia que ela visse as cores da cobra,
dependendo da cor não são venenosas, sem deixar de ser cruel, cobras não fecham os olhos nunca, elas não têm pálpebras, não tem sentimento de afeição por ninguém, mesmo criadas como animais de estimação.
Luz decidiu acamar-se, respirou tranquilamente para que o animal não se sentisse ameaçado.
Tinha que haver uma reação e tinha que partir da cobra, era uma questão de tempo, Luz tinha que esperar e esperou, a cobra desfez o bote e se aproximou devagar em direção a ela, que mantia a calma.
Por se tornar obrigatoriamente canhota, Luz só podia contar com seu reflexo, ou tirava o filtro do ar condicionado na mesma velocidade do ataque ou seria o fim, ela dependia do ventre da cobra, se fizesse direção a porta ela sairia sem risco algum, quando percebeu a certeza do ataque, pensou “ou ela ou eu”, Luz tirou o filtro e defendeu, na mesma velocidade, a cobra pendeu as prezas no filtro e lançou seu veneno, mas não a atingiu, pois ela direcionou o filtro na parede, naquele momento de estresse e ira, ela se lembrou do seu amor e o desprezou por saber ser dele a culpa do isolamento, da depressão em que estava, podendo tudo ser evitado com palavras e não com silencio, há tempo de calar e tempo de falar, ele precisava saber o quanto ela precisava ouvir sua voz e o quanto ela dependia dele naqueles momentos, de tantas dúvidas e constrangimentos e ele não dizia nada, apenas a desprezava o tempo todo, como se ela não existisse...
Na mesma proporção abominou o Iguana em lembrar a rudez de seu ato em matar um pássaro inocente e sofreu muito.
Que terrível momento, por um lado descontava sua ira na cobra pressionando-a contra a parede, sabia que se a soltasse suas presas afiadas entrariam em seu pulso e assim perderia a outra mão.
A cobra se debatia enrolando-se eu seu braço, era pesada, tenha aparentemente um metro ou mais de comprimento e exalava um cheiro terrível e seu guizo parecia aterrador.
Luz começou a sentir câimbras na mão, caiu em si e percebeu que o animal só estava tentando sobreviver, um animal irracional lutando contra um Ser parcialmente racional no momento.
Ela fez o que deveria ser feito, antes que sua mão travasse pelas câimbras e a cobra caísse aumentando a possibilidade de ser atacada nas pernas.
Foi até o quintal e diminuindo a pressão, foi vagorosamente soltando e deixando o animal se acalmar,
Quando imaginou estar tudo tranquilo soltou o animal que violentamente a atacou atingindo seu braço e depois foi embora, era uma cascavel e se ainda tinha veneno ela não pode saber, não iria consegui fazer um torniquete, ligou para seu irmão o trajeto dele demoraria 40 minutos, não havia nada mais que ela pudesse fazer além de subir na mesa e se deitar de bruços e deixar o braço para baixo.
- Eu dizia a ela, “Luz você é madura o suficiente para ter atitude infantil, a culpa não é só sua, é também de amor, infantilidade das duas partes, muitas coisas poderiam ser evitadas ou vividas na intensidade de seus sentimentos e desejos, a culpa não é do Iguana é a lei da natureza em sua voracidade e nem da cobra ela se defendeu de você assim como você dela.
Quando percebi estava falando sozinha, ela havia perdido os sentidos.
Mas eu nunca deixei de avisá-la, que a força do pássaro está em suas asas e não em seu coração, e que se construirmos nosso abrigo no chão somos obrigados a voar baixo,     
Se ficamos nas regiões baixas das emoções, viveremos em eternas duvidas, desanimo, tentações e incredulidades.
Pois passamos a pensar e acreditar que ninguém se importa com nossa felicidade o que, de certa forma é verdade, quem deve buscar a felicidade é aquele que sente infeliz.
Soube depois de algum tempo que ela o amou intensamente até o último instante e nunca mais se entregou a ninguém e considerou não conhecer o amor antes dele e assim viveu por ele e para ele em constante silencio, mesmo porque ainda que falasse que demonstrasse amor ele nunca correspondia.
Há certas derrotas que na verdade são grandes conquistas.
Dominar a fúria das águas dentro de si é uma questão de força de vontade e sabedoria.
 
Silviah Carvalho
Enviado por Silviah Carvalho em 20/08/2015
Alterado em 20/08/2015

Música: Love Istory - Richard Claiderm

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